segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Passagem do livro A cabeça bem feita de Edgar Morin
"... eu falo, mas, quando falo, quem fala? Sou "Eu" (eu subjetivo) só quem fala? Será que, por intermédio do meu "eu" (eu objetivo), é um "nós" que fala (a coletividade calorosa, o grupo, a pátria, o partido a que pertenço)? Será um "pronome indefinido" que fala (a coletividade fria, a organização social, a organização cultural que dita meu pensamento, sem que eu saiba, por meio de seus paradigmas, seus principios de controle do discurso que aceito insconscientemente)? Ou é um "isso", uma máquina anônima infrapessoal, que fala e me dá a ilusão de que fala de mim mesmo? Nunca se sabe até que ponto "Eu" falo, até que ponto "Eu" faço um discurso pessoal e autônomo, ou até que ponto, sob a aparência que acredito ser pessoal e autônoma, não faço mais que repetir idéias impressas em mim."
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