"É possível tratar seres humanos com drogas, hipnose ou
outras técnicas de lavagem cerebral, de modo que se tornem instrumentos
moldáveis nas mãos de seus manipuladores, uteis como meios para os fins de seus
manipuladores, mas com todos os seus próprios objetivos sérios, totalmente
obliterados. Uma vez que seres humanos se encontrem nessas condições, poderão
não ter consciência de estarem sendo explorados ou degradados, tendo chegado ao
ponto de aceitar e internalizar a imagem que seus exploradores fazem deles como
sendo a deles mesmos. Nesse estado, seres humanos poderiam ser criados como
sugeriu Swift, como alimento, engordados durante alguns anos, e então abatidos
(humanamente, é claro); ou poderiam ser atrelados, como burros de cargas, a
carroças ou pedras de moinho. Seria um bom negócio. Bem como de boa moral
tratá-los com bondade (desde que fossem obedientes), pois dessa forma seria
possível, a longo prazo, conseguir-se que trabalhassem mais. É claro que
bondade, e “humanidade” embora sejam suficientes para satisfazer os direitos de
um animal, não são suficientes para seres humanos que, portanto, têm que
possuir um tipo de direito diferente do que é deliberadamente negado a animais.
É um direito a um tipo superior de respeito, uma dignidade inviolada, que, como
uma categoria ampla, inclui os direitos negativos de não sofrer lavagem
cerebral, de não ser transformado num instrumento dócil para os objetivos de
terceiros, e de não ser convertido em animal domesticado."