O filme conta a
história de Billy Beane ex-jogador de baseball (vítima do sistema equivocado de
seleção de atletas) e atual gerente geral do time Oakland, que para superar as
contradições e paradigmas equivocados no meio esportivo, utiliza ferramentas
estatísticas para selecionar o time que irá conduzi-lo à vitória.
Em síntese, as dificuldades encontradas por Beane é o
orçamento precário que o mesmo dispõe para contratar/comprar atletas de alto
nível para constituir a equipe.
No sistema atual os meios de avaliação para caracterizar
um atleta de “alto nível” são equivocados, pois analisam uma pequena parcela de
sua capacidade atual, analisam em uma perspectiva onde prevalecem os feitos e
méritos de épocas anteriores, e é claro, como quesito primordial verificam sua
competência de ser “caro”. (influência midiática que inconscientemente molda a
mente do treinador, fazendo-o acreditar que um time vencedor é constituído por
objetos valiosos).
Desse modo, a perspectiva atual de seleção analisa o
indivíduo em si, e não as possibilidades de sua influência no grupo e a sua
competência para alcançar o ideal coletivo. (chegar à base, vencer o jogo).
Jogar o jogo que o sistema criou levaria Beane à ruína,
portanto era a hora de mudar o jogo, hora de analisar o problema de forma
reflexiva, atuar de forma inovadora mesmo na incerteza do êxito, resiliência
para superar os mais tradicionalistas e inertes ao problema (técnicos, olheiros
“experientes”), utilização de ferramentas uteis para alcançar as respostas
(contratação do analista novato Peter Brand), a capacidade de refletir sobre as
atuais perguntas de forma a averiguar se as mesmas o aproximam do objetivo
almejado.
O filme reflete sobre a capacidade de análise e a
utilização de ferramentas técnicas que dão suporte para a ação.
Trazendo o enredo do filme para o cotidiano é possível comparar
situações semelhantes, seja na politica, na universidade, nos centros
esportivos, nas empresas, ou em qualquer outro meio de controle mediado por
prescrições, leis ou padrões.
No meio esportivo, por exemplo, nossas intenções ou nossa
vontade é severamente restringida caso se oponha ao ideal da alta hierarquia
que momentaneamente, ou na maioria das vezes é influenciada por uma entidade
maior, preocupada com a reputação e acima de tudo ao lucro.
Da mesma forma a
intenção de iniciar um projeto científico no meio Acadêmico pode ser moldada à
vontade de um orientador, que por sua vez é limitado pela regência e politica
de pesquisa da faculdade, que porventura é relacionada ao capital, assim sendo,
a gênese da vontade e o desenrolar da mesma, perde a autenticidade.
A Questão é como ser autêntico dentro de um sistema onde as
coisas fluem em direção a um ideal tradicionalista, até que ponto submeter-se a
isso, há maneiras de modificar as regras desse jogo? Se sim, como proceder?
São perguntas que devem ser feitas a todo o momento, e as
respostas necessitam não somente de um conhecimento técnico específico extraído
a partir de uma graduação, para isso é necessário ir além, entender a lógica do
jogo que se pretende mudar.
Mudar o jogo é necessário, pois ir contra a corrente
instaura-se o caos, e é no intermédio entre a desordem e a ordem que existe uma
ampla gama de possibilidades, entre elas, a possibilidade de estruturar um jogo
de regras flexíveis com um apontamento ao benefício social.