terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Eu e minha companheira consciência

Dias solitários em casa ou dias solitários entre as pessoas, como é tão acolhedora e ao mesmo tempo  entediante a sua companhia. Cumplice do que penso, sinto e ouso dizer. Fale por mim, Fale pra mim, eu sempre vou alimentar você, mas não me deixe triste, nem seja pessimista., pois se você faz parte de mim que proveito terá disso?

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Passagem do livro A cabeça bem feita de Edgar Morin

"... eu falo, mas, quando falo, quem fala? Sou "Eu" (eu subjetivo) só quem fala? Será que, por intermédio do meu "eu" (eu objetivo), é um "nós" que fala (a coletividade calorosa, o grupo, a pátria, o partido a que pertenço)? Será um "pronome indefinido" que fala (a coletividade fria, a organização social, a organização cultural que dita meu pensamento, sem que eu saiba, por meio de seus paradigmas, seus principios  de controle do discurso que aceito insconscientemente)? Ou é um "isso", uma máquina anônima infrapessoal, que fala e me dá a ilusão de que fala de mim mesmo? Nunca se sabe até que ponto "Eu" falo, até que ponto "Eu" faço um discurso pessoal e autônomo, ou até que ponto, sob a aparência que acredito ser pessoal e autônoma, não faço mais que repetir idéias  impressas em mim."

Reflexão sobre o filme "A historia Sem Fim" de Michael Ende.


Esta reflexão foi realizada no 2° semestre do Curso de Ciências do Esporte da faculdade de Ciências Aplicada da Unicamp atráves dos aprendizados obtidos na disciplina Jogo, ministrada pelo Docente Alcides Scaglia, onde era discutido alguns aspectos da construção da Cultura lúdica pelas Crianças, e a possibilidade de criação a partir da Brincadeira. O filme de Michael Ende foi usado como guia e permitiu um maior entendimento a respeito de tais discusões por retratar a historia de Bastian que atráves da leitura estravasa sua criativadade.

Reflexão:

A responsabilidade de uma criança na concepção do homem adulto representado pelo pai de Bastian é participar frequentemente das aulas escolares e realizar as atividades propostas pelos professores, sendo assim, Bastian sente-se limitado a realizar atividades que correspondem a sua faixa etária e a assumir a primordial responsabilidade de uma criança que é brincar e manipular um mundo imaginário, ato indispensável para qualquer criança, pois através da brincadeira estimula-se a criatividade (uma das maiores habilidades de Bastian) e consequentemente o aprendizado.
Bastian sente-se atraído por cavalos ou unicórnios, não necessariamente sua atração corresponde a realizar aulas de equitação, o mesmo ocorre com seu desejo de brincar na água, que pode ser confundido ao desejo de realizar natação (4 estilos). Podemos dizer que Bastian não está disposto a realizar nenhuma atividade que possa barrar sua incrível habilidade de imaginar situações e de viver personagens, sendo assim, ao brincar, ou mesmo desenhar em seu caderno unicórnios, Bastian sente-se próximo ao que seria cavalgar e assume todo o controle.
Logo após Bastian ter se escondido na Alfarrabista encontra-se com o livreiro, um homem que inicialmente diz não gostar de crianças. Bastian fica curioso em saber qual o livro o livreiro lia, o livreiro então percebe o interesse de Bastian e acrescenta dizendo que o livro não é para crianças por não ser um livro seguro, Bastian então se sente desafiado frente à afirmação do livreiro que instiga ainda mais o seu desejo e curiosidade a respeito do livro.
Este princípio, de oferecer um desafio à criança é o que torna possível a leitura, a brincadeira, o jogo, pois a superação do desafio gera prazer e estimula cada vez mais a superação de novos desafios que podem ser gradualmente mais complexos e difíceis de se superar, sendo assim, a capacidade de lhe dar com desafios ou problemas cada vez mais complexos é o que tornará aguçado a inteligência e o desenvolvimento da criança em sua fase de aprendizado.
Bastian então decididamente torna a ler a história sem fim com toda a sua seriedade e comprometimento para com os personagens deste mundo de fantasia, logo percebe que o Nada está destruindo esse Mundo.
O Nada corresponde a uma parcela dos homens de nosso mundo real, que já não visitam ou mesmo desconhecem o mundo de fantasia e que, portanto, fazem dela um mundo vazio, sem cores, e sem esperança.
O mundo de Fantasia é uma história sem fim, e justamente por ser uma história sem fim ela deve ser continuamente escrita, construída e vivida pelos desejos e manipulações dos filhos dos homens de nosso mundo real para continuar a existir. Uma vez esquecida o mundo de fantasia pode ser completamente destruída e dominada pelo nada, deixando de ser então uma história sem fim.
Assim deve ser a história sem fim de cada criança, pois quanto maior forem seus desejos, ou quanto mais desejos elas tiverem, maiores serão as possibilidades de construir o seu mundo lúdico, ou seu mundo de fantasia.
Voltando a história lida por Bastian e ressaltando novamente o problema dos personagens do mundo de fantasia que estão sendo ameaçados pelo Nada, uma criança do mundo de Fantasia chamada Atreiú fica responsável por encontrar a cura para a imperatriz criança (sua doença está intimamente relacionada com o alastramento do Nada por fantasia) e então salvar o mundo de fantasia.
Esta criança chamada Atreiú seria guiada por um símbolo chamado AURIN, entregue por um mandante em nome da imperatriz criança. Portando este símbolo Atreiú abriria mão de qualquer arma, pois nesta sua jornada ele estaria sendo guiado pelo poder do AURIN da imperatriz criança (fundadora do mundo de fantasia e que representa a juventude criadora deste mundo) sendo assim, o bem ou o mal, seriam indiferentes para Atreiú, pois ambos são criações do mundo de fantasia e ambos vivem em simbiose para que ocorra o equilíbrio deste mundo.
Existe uma razão para o fato de Imperatriz de fantasia ser uma criança e o fato me leva a dizer que a criança representa a juventude marcada pelo seu incrível poder de imaginação, criação e renovação, como o mundo de fantasia necessita deste poderes, nada melhor que uma criança para liderar este mundo.
Atreiú seguindo o caminho proposto por AURIN que o guia pelo mundo de fantasia, chega até o Pântano da tristeza e lá encontra Morla uma tartaruga Anciã, Atreiú então traz a mensagem de que o nada se alastra por fantasia e também a noticia de que a imperatriz criança está doente. Atreiú supôs que pela experiência que Morla continha por toda sua vivência no mundo de fantasia, saberia qual a cura para a imperatriz criança, mas não esperava que a reação de Morla fosse tão indiferente frente aos problemas apresentados por Atreiú.
Morla constantemente afirma que não existem problemas se o mundo de fantasia acabar, pois já teria vivido o suficiente até chegar ao ponto de crer que nada mais faz sentido, se o mundo de fantasia acabar ou não, para ela seria indiferente.
Morla representa no mundo real a falta de esperança, a acomodação das pessoas que aceitam sem questionar as convenções impostas sobre ela, representa também o apego às facilidades que os obrigam a permanecer em estado imutável indiferente a alegrias ou a tristezas. Enfim, Morla representa uma vida monótona e indiferente às significações da vida.
Mas adiante seguindo a história lida por Bastian, observamos que Atreiú e Fuchur (dragão da sorte) em um momento de crise foram recebidos por um casal de Duendes cientistas denominados “os dois colonos”, a mulher representa o acolhimento, pois ambos foram medicados com plantas de espécies curadoras e tratados com muita atenção pela pequena Duende, já o homem representa o conselho, pois este duende dizia ser um adorador da ciência e sua especialidade era o Oráculo Do Sul e os portais que levam até a ele (caminho pelo qual Atreiú posteriormente passará para encontrar a resposta sobre a cura da imperatriz criança, mas não antes dos conselhos deste generoso cientista duende).
Até Chegar ao Oráculo do Sul, Atreiú passará por dois portais. Para passar pelo primeiro portal (portal do grande enigma) segundo as investigações científicas do duende, Atreiú deverá acreditar fielmente em si mesmo, acreditar nos seus objetivos e nas suas capacidades para assim atravessá-lo. O segundo Portal (portal do espelho mágico) Atreiú o observará no espelho, mas a visão deste espelho não é comum como todos os outros espelhos, a visão que este espelho reflete não é a aparência exterior da pessoa, mas sim sua aparência interior, ou seja, a visão refletida será de como Atreiú é na realidade, sendo assim o principal desafio de transpor este portal é vencer a si mesmo diante da contestação apresentada pelo espelho. Segundo os estudos e observações do Duende cientista muitos dos que se depara com o seu reflexo no portal do espelho mágico não conseguem ultrapassá-lo diante da imagem assustadora de si mesmo, vista somente neste espelho.
Atreiú consegue superar os desafios dos portais e finalmente tem acesso ao Oráculo do Sul, chegando lá recebe a informação que a cura para a imperatriz criança está além do que os habitantes de fantasia podem fazer, sendo assim ele teria que ultrapassar as fronteiras de fantasia para que um dos filhos dos homens do mundo real que possuem o dom de nomear as coisas dê um novo nome à imperatriz criança, pois os seres de fantasia por mais que sejam reis ou sábios são apenas personagens de um livro e não possuem este dom.
O desejo de cura, assim como a existência de fantasia deve habitar o coração de um homem do mundo real para que a história sem fim não seja dominada pelo nada, habitando este desejo um simples nome poderá salvar a imperatriz e o mundo de fantasia, pois a vida da imperatriz criança não é determinada pelo tempo, pois ela já é muito mais antiga que qualquer ser de fantasia, sua vida é determinada por nomes, portanto somente um novo nome dito por um ser do mundo real seria capaz de salvar a imperatriz criança.
Atreiú decidido em encontrar a cura para a imperatriz criança segue adiante em busca das fronteiras de fantasia atrás de uma criança do mundo real, mas logo se dá conta por intermédio de Gmork “o lobisomem” que fantasias não possuem fronteiras, o mundo de fantasia não possuem limites é um mundo infinito construído pelos sonhos e pela esperança do ser humano. O Nada tem crescido justamente porque cada vez menos o homem do mundo real tem encontrado o caminho até o mundo de fantasia.
O Nada quando se prolifera em fantasia atrai de forma irresistível alguns seres e uma vez atraído pelo nada este ser de fantasia deixa de existir, mas invade a mente humana em forma de mentira, esta mentira por sua vez faz com que os homens sejam cada vez mais céticos perante fantasia, sendo assim, sentem-se obrigados a dizerem frases como a do pai de Bastian no inicio do filme: “mantenha os pés no chão, você já tem idade suficiente para não ficar com a cabeça nas nuvens”, infelizmente o pai de Bastian há muito tempo não visita o mundo de fantasia, e também não se lembra do caminho.
Já no final do filme Atreiú e Fuchur voam sobre os fragmentos que sobrou de fantasia, e ao encontrar a imperatriz criança um pequeno grão de areia ainda resta sobre sua mão. Sendo assim, ainda havendo o mínimo de esperança ou um ultimo sonho, fantasia ainda pode ser reconstruída, e é o que acontece, pois Bastian consegue chegar até o mundo de fantasia, e passa a ser o construtor desse mundo, pois a cada desejo algo passa a existir, e quanto maior o desejo e quanto mais Bastian desejar mais rico e mais fértil será o mundo de Fantasia, está é intima relação existente entre o desejo e a construção da cultura lúdica.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Reviver o amor


O amor assim como as coisas vitais necessita de morte constante, pois a partir da morte, um novo todo se organiza de forma jovial e livre de preconceitos. Assim são nossas células que constantemente morrem e dão lugar a um novo emaranhado de células e nossas crianças que ao nascer enxergam o mundo sem a preocupação do que é moralmente aceito pela nossa sociedade, ou seja, apenas enxergam livres de qualquer paradigma que funcione como um nevoeiro a fim de ocultar ou desfigurar sua percepção.
Um amor carregado de preconceitos será sempre amor aprisionado de sua consciência, que morrerá aos poucos deixando vestígios irremediáveis no seu intimo, assim sendo, a cada relacionamento perdido uma parte dos pequenos vestígios darão forma a um todo organizado chamado egoísmo, vírus que se alimenta na certeza absoluta, acomodação e satisfação daquilo que por si só lhe agrada, que é imperceptível às consequências que de forma inexorável abala corações inocentes. Neste ponto a perspectiva de amor já está seriamente afetada, uma por considerar o amor como uma perspectiva e não como natural essência e outra pelo fato de que os atos sempre estarão ligados à satisfação do ego e não a satisfação do conjunto.