sexta-feira, 20 de abril de 2012

Trecho do livro "Filosofia Social" - J. Feinberg


"É possível tratar seres humanos com drogas, hipnose ou outras técnicas de lavagem cerebral, de modo que se tornem instrumentos moldáveis nas mãos de seus manipuladores, uteis como meios para os fins de seus manipuladores, mas com todos os seus próprios objetivos sérios, totalmente obliterados. Uma vez que seres humanos se encontrem nessas condições, poderão não ter consciência de estarem sendo explorados ou degradados, tendo chegado ao ponto de aceitar e internalizar a imagem que seus exploradores fazem deles como sendo a deles mesmos. Nesse estado, seres humanos poderiam ser criados como sugeriu Swift, como alimento, engordados durante alguns anos, e então abatidos (humanamente, é claro); ou poderiam ser atrelados, como burros de cargas, a carroças ou pedras de moinho. Seria um bom negócio. Bem como de boa moral tratá-los com bondade (desde que fossem obedientes), pois dessa forma seria possível, a longo prazo, conseguir-se que trabalhassem mais. É claro que bondade, e “humanidade” embora sejam suficientes para satisfazer os direitos de um animal, não são suficientes para seres humanos que, portanto, têm que possuir um tipo de direito diferente do que é deliberadamente negado a animais. É um direito a um tipo superior de respeito, uma dignidade inviolada, que, como uma categoria ampla, inclui os direitos negativos de não sofrer lavagem cerebral, de não ser transformado num instrumento dócil para os objetivos de terceiros, e de não ser convertido em animal domesticado."

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