"Acabou o primeiro dia da minha nova infância. Quanta coisa
em um só dia! Só registrei algumas das experiências, aquelas que a lembrança
por acaso me passou, aquelas que levaram mais tempo. Se impressões caem em cima
da gente que nem enxurrada de verão, como guardar e descrever todas as gotas da
chuva? É possível, por acaso, contar as ondas agitadas de um rio que está
transbordando?
Fui esquimó e cachorro, persegui e fugi da perseguição, fui
vencedor e inocente vítima do acaso, artista e filósofo: a vida virou uma banda
que toca música para mim. Compreendo agora que a criança pode ser um músico
amadurecido; e se penetrarmos mais a fundo no seu desenho e na sua fala, quando
ela finamente confiar em si mesma e começar a falar, e nós captarmos o que tem
de especial e digno na sua expressão, encontraremos nela um mestre dos
sentimentos, um poeta, um artista plástico. Assim será. Mas não somos adultos
ainda. Temos raízes presas demais na vida material."
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